Exposición Angelo de Souza

Para a questão derivada do tema da mesa optei em abordar os desafios metodológicos que a pesquisa no campo das políticas educacionais tem enfrentado nos últimos anos e, para tanto, focalizei em duas questões precedentes: a primeira tem a ver com a definição do campo (o que pesquisamos em políticas educacionais?); e a segunda tem a ver com as formas como temos lidado com nossos objetos (como tratamos disto que pesquisamos?)

- Tomei, empiricamente, os trabalhos apresentados na ANPED entre 2000 e 2012, pois aí parece que temos um bom perfil sobre a produção acadêmica em políticas educacionais no Brasil. Claro que tomei somente os resumos dos trabalhos, o que é sempre muito complicado, dada a natureza dos resumos e a insuficiência de informação neles presente.

1)Definição do campo: o que pesquisamos em políticas educacionais?

- O conjunto de temas abordados está articulado (quase) sempre à leitura do papel/ação do Estado nessas diferentes frentes. Mas, de qualquer forma, a definição do que estudamos não parece estar dada a priori, pois depende também (e quiçá dominantemente) dos pesquisadores.

-Assim, assumo aqui que a pesquisa em políticas educacionais toma a ação do estado no (não) atendimento às demandas por educação pela sociedade e, na via inversa, toma também as próprias demandas sociais como objeto de estudo. É diante dessas demandas que o Estado opera ou não. E a não ação do Estado é sempre uma decisão, ou seja, a não ação se constitui ela mesma em política, por isso o estudo da ausência de ação do Estado também se constitui em objeto de pesquisa do campo.

2)Como tratamos disto que pesquisamos?

-Segundo Ball & Mainardes (2011), os estudos em políticas educacionais, dominantemente, ou bem são de natureza teórica sobre questões amplas do processo de formulação de políticas, abrangendo discussões sobre mudanças no papel do estado, rede de influências no processo de formulação de políticas, abordagens históricas das PE brasileiras (geralmente vinculadas à análise de contextos socioeconômico e político); ou bem tratam de analisar e avaliar programas e políticas educacionais específicas.

- Os dados dos trabalhos apresentados na ANPED confirmam isto, de alguma maneira, com forte prevalência dos estudos mais focalizados mais recentemente, com dominância empírica e sem muita articulação a uma base teórica explícita.

3)Assim, quais são, nesse contexto, os desafios que se apresentam para a metodologia de pesquisa no campo? O que nos falta?

- É preciso uma análise mais acurada sobre os processos de tomada de decisões e, antes, de constituição da agenda política.

- Mais densidade e rigor nos estudos quantitativos.

- Ampliação da leitura de revisão, especialmente para o exterior. De qualquer forma, temos problemas com a forma como revisamos e sustentamos teoricamente nossos estudos.

- Faltamo-nos estudos que tomem metodologias bem delineadas no exterior, e as apliquem/adaptem à conjuntura nacional.

- Não devemos parar de fazer política, mas devemos nos dedicar mais à pesquisa sobre políticas educacionais, até para termos mais respaldo para a ação política.

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